A importância do suporte social para a criança pequena.

Nesse texto, vamos dar sequência aos fatores que estão na base do desenvolvimento infantil saudável e hoje vamos falar sobre a importância do suporte social na vida da criança pequena.

A maioria dos programas de enriquecimento sugerem que o suporte social intermediado por um adulto pode melhorar muito os resultados de aprendizagem e convívio das crianças pequenas.

Os adultos que convivem com as crianças são peças fundamentais na criação de um ambiente favorável ao contato social positivo. São eles responsáveis por incentivar, orientar, ensaiar, guiar, limitar e comemorar com a criança as experiências da vida e, principalmente, ajudar as crianças a perceberem e compreenderem como as pessoas e as coisas funcionam.

As crianças até os cinco anos possuem poucas habilidades para controlar os seus próprios cérebros. A vida acontece para elas. O que as crianças precisam, especialmente é de um guia, um orientador, um guardião, para ajudá-las a navegar pela vida. Isso é essencial para o enriquecimento cerebral.

Proteja o seu filho de bullying, assédios, provocações ou castigos físicos. As crianças pequenas não conseguem entender a intenção dos outros. Em especial, os bebês não precisam ser punidos. Você pode dizer “não” e se afastar, mas eles não precisam de violência. Quando uma criança comete um erro, lembre-se sempre da idade dela. O cérebro das crianças não está maduro, e não há como compreenderem etiquetas, modos, segurança ou causas e efeitos da conduta social ou de uma simples travessura.

“As crianças não são flexíveis; são altamente vulneráveis ao estresse, a traumas, abusos e transtornos. (Eric Jensen, 2011)”

Nunca esqueça que o seu filho está aprendendo a ser adulto, principalmente a ser pai ou mãe, com base na forma como você cuida dele. Toda a atitude que toma, tudo que fala, toda a disciplina que exige serve de exemplo. E isso também pode ser considerado na relação da criança com outros adultos que participam da sua vida, como os professores.

Esperamos ter contribuído.

Micheli Campos e Alexandre Paim

Texto adaptado de Enriqueça o cérebro (páginas 302 a 304), Eric Jensen, 2011.

Enriquecimento cerebral – O estresse na criança pequena.

O estresse é uma resposta biológica a situações de percepção de falta de controle. O corpo e o cérebro reagem negativamente ao estresse e as crianças são altamente vulneráveis a ele. Elas simplesmente não conseguem controlar as variáveis enquanto seus cérebros engolem o mundo.

Até os cinco anos, a criança passa por um processo chamado de “assimilação de cultura” que permite que as crianças mais novas consigam acompanhar o mundo. Nessa fase o cérebro é altamente receptivo, muito propenso para absorver e não avaliar as informações do mundo que a rodeia.

O cérebro infantil está em ebulição e se desenvolve muito rápido. Alguns estudos apontam que no embrião são gerados mais de 250 mil neurônios por minuto e que esse processo se acelera após o nascimento. Portanto, diante dessas informações, é função dos adultos proporcionarem um ambiente menos estressante possível para a criança se desenvolver.

Dentre os piores fatores de estresse para uma criança são os traumas associados a violência, palavrões, desrespeito e mau exemplos. Por isso, a importância de se evitar a exposição de crianças até os dois anos a longos períodos em frente a televisão, celulares e brinquedos eletrônicos. Os pais que querem enriquecer seus filhos deveriam criar um ambiente livre de mídia eletrônica, com execeção talvez de certos tipos de música.

Quanto mais televisão, menos leitura. Quanto mais televisão, menos a criança interage com o mundo. O cuidado que devemos ter com a televisão é o fato da criança absorver tudo de forma passiva e sem reflexão, pois o cérebro infantil simplesmente não sabe como filtrar imagens visuais de violência, por exemplo.

Para finalizar, tente regular o maior número de fatores de estresse que você puder para os seus filhos. Lembre-se de que eles não conseguem lidar bem com o estresse. Reduza quase a zero o entretenimento com eletrônicos nos primeiros anos de vida, pois além serem estressantes, você está desperdiçando ótimas oportunidades de oferecer atividades mais benéficas para o seu filho. Leve o seu filho para brincar com outras crianças, organize um espaço seguro de modo que possam se divertir com menos supervisão, faça atividades motoras e realize atividades de leitura.

Grande abraço.

Micheli Campos e Alexandre Paim.

Um abraço.

Aprendizados novos, desafiadores e significativos.

No texto anterior conversamos sobre a importância da atividade física e de exploração do meio pela criança pequena. Hoje, vamos abordar o segundo fator positivo que possui grande probabilidade de aumentar o sucesso no desenvolvimento infantil: Aprendizados novos, desafiadores e significativos.

Crianças de 0 a 5 anos não conseguem parar. Seus cérebros são desenvolvidos para aprender e de fato aprendem muitas coisas. Nos primeiros anos de vida, há dois tipos de aprendizagem que devemos prestar atenção nas crianças: Aprendizagem de reações emocionais apropriadas e aprendizagem através de jogos e brinquedos.

Entende-se por reações emocionais apropriadas aquelas que o adulto demonstra nos contatos com a criança e a mesma aprende a exprimi-las em um mundo social. O cérebro nasce com a capacidade de de expressar 6 ou até 8 emoções interligadas como alegria, medo, surpresa, desgosto, raiva e tristeza. Mas existem outras centenas de reações emocionais que são ensinadas socialmente, como gratidão, preocupação, apreciação, antecipação, flerte, entre outras.

Dentro desse processo é muito importante a sintonização, que se refere ao ato de se sintonizar com o outro, isto é, estabelecer uma reciprocidade emocional e física entre duas ou mais pessoas. A criança sorri e você sorri de volta – isto é sintonização. Para a criança, a reação do adulto dá início a uma dança sincrônica entre sistemas visuais, auditivos e palpáveis e o desenvolvimento de centros emocionais no cérebro.

“a criança acabou de descobrir como colocar cada peça em seu lugar. O rosto da mãe se ilumina com um sorriso e diz, “Bom trabalho!”

“o bebê sorri, a mãe sorri; língua do bebê para fora, língua da mãe para fora”

O processo de sintonização funciona melhor durante os dois primeiros anos, porque as conexões não utilizadas naquele momento têm muitas chances de serem perdidas. Corrigir a sincronização de todos os processos de desenvolvimento é essencial para o funcionamento normal e saudável em humanos.

Na aprendizagem através de jogos e brinquedos, é muito comum as pessoas acreditarem que crianças com menos de 5 anos deveriam estar brincando com uma imensidão de eletrônicos e brinquedos com pilha.

“Se um brinquedo precisa de pilhas, então a criança com menos de 5 anos não precisa dele….Nenhuma criança pode ser educada por um aparelho de TV, um videogame, um DVD ou até mesmo pelo melhor jogo de computador do mundo. (Eric Jensen, 2011, página 293).”

Se podemos oportunizar exploração ativa, interação com outras crianças, os desenhos animados e os brinquedos com pilha perdem por larga desvantagem. Temos que entender que o cérebro de uma criança pequena é vulnerável, e está absorvendo seu ambiente em todos os minutos conscientes de um dia, sete dias por semana. As crianças precisam:

– de coisas que consiga fazer, não assistir um brinquedo fazendo as coisas por ela;

– produzir sons ela própria, não ouvir sons pré-frabricados.

– coisas que ela possa personalizar ou modificar, não apenas segurar;

– peças para montar, desmontar, montar de novo, não coisas que quebrem.

Os jogos e brinquedos ideais são aqueles que parecem simples (que na verdade são complexos), com peças grandes. Esses brinquedos devem envolver a criança imediatamente, não buzinando sons ou disparando luzes irrelevantes, mas exigindo que ela os experimente, explore, teste e modifique.

“Crianças que aprendem a construir, organizar, criar e consertar seus próprios brinquedos desenvolvem um senso de competência nunca, jamais desenvolverão com botões de apertar, efeitos de som em um laptop inanimado. (Eric Jensen, 2011, página 294).”

Vamos concluir dizendo que a criança pequena necessita do cuidado de adultos que utilizem, de forma proposital, uma variedade de atividades de sintonização de qualidade todos os dias. Sobre os brinquedos e jogos, o ideal é um ambiente com brinquedos interessantes, que convidem a criança a descobrir coisas, não objetos que precisem de pilhas e que ele precise apertar, escutar e tocar.

Um abraço.

Micheli Campos e Alexandre Paim

Atividade física e de exploração no desenvolvimento infantil.

Conforme prometido, vamos dar sequência ao assunto do enriquecimento cerebral infantil mostrando para você os sete maximizadores de ouro do desenvolvimento positivo do cérebro infantil. 

Vamos começar essa série falando da importância da atividade física e da exploração do meio na vida das crianças. Inclusive, essas atividades são um dos pilares da Escola Semear, pois todos os estudos demonstram que a atividade física está na base do aprendizado.

Crianças que brincam pouco, que passam a maior parte do tempo em frente à telas (televisão, celulares e computadores) acabam sendo privadas de contatos físicos e emocionais com o mundo real. Apenas para citar um exemplo, as horas que crianças passam dentro de um carro mais que dobraram nas últimas décadas. Estima-se que até os 24 meses de vida, uma criança já tenha passado mais de 350 horas sentada no banco de um carro. 

“O cérebro em desenvolvimento necessita exploração para aprender a descobrir o novo mundo de sentidos e conectá-lo ao seu próprio mundo. Isso é o gera expectativa e coerência. Esse princípio-chave estimula a exploração segura e ativa do mundo natural. Note que eu não falei em exploração de brinquedos de pilha, televisão ou DVD. É no mundo físico, real, da estimulação sensorial natural que o cérebro da criança precisa interagir (Eric Jensen, 2011, página 287).”

A curiosidade faz bem para as crianças. Para evitar que ela seja reprimida constantemente, as casas e escolas precisam ser lugares seguros para a exploração e que oportunidades sejam criadas para tal. Crianças explorarão um dia inteiro uma praça se receberem liberdade. Qual o valor disso para o seu filho (a)?

Pesquisas revelaram que crianças curiosas com 3 anos de idade e que exploram os ambientes livremente, têm QIs substancialmente mais elevados na pré-adolescência (Raine, A. et al, 2002). Explorar o ambiente codifica o amor pela aprendizagem, a curiosidade natural e o prazer pelo processo de descoberta mais do que por qualquer outra atividade.

Uma vida ativa nos primeiros anos de vida promove o desenvolvimento do sistema de equilíbrio (vestibular) da criança. Entre boas atividades para o desenvolvimento desse sistema de equilíbrio corporal estão acrobacias, ciclismo, gira-gira, escorregadores, gangorras e tantas outras brincadeiras infantis. A falta de estímulo ao sistema de equilíbrio e motor da criança podem estar ligados a vários problemas de aprendizagem, incluindo dificuldades em matemática, escrita e leitura. A estimulação motora iniciada logo cedo gera melhor atenção, melhores habilidades auditivas, de leitura e de escrita (Palmer, L., 2002). 

“Planeje um passeio pelo próprio quintal. Você não precisa de parques temáticos para construir cérebros. Você pode conseguir estímulos fabulosos quando compartilha os incríveis milagres da grama, formigas e outros insetos construindo casas (Eric Jensen, 2011, página 289).” 

As crianças vão querer (e devem) explorar toda e qualquer coisa que puderem. Ao adulto cabe a supervisão e os cuidados com a segurança. Aos educadores também cabe o planejamento do ambiente e das atividades motoras/exploração sempre visando o estágio de desenvolvimento da criança e sob a perspectiva dos objetivos que deseja alcançar.

Por fim, permita que o seu filho (a) explore o mundo. Em vez de uma dieta de televisão, vídeo games e muitas horas em frente a telas, proporcione a eles longos períodos de explorações criativas e livres.

No próximo texto vamos falar de aprendizados novos, desafiadores e significativos. 

Esperamos ter contribuído. 

Micheli Campos e Alexandre Paim

Referência: Jensen, Eric. Enriqueça o cérbro: Como maximizar o potencial de aprendizagem de todos os alunos, Artmed, 2011.

O enriquecimento cerebral na criança.

A proposta pedagógica da Escola Semear é norteada por linhas educacionais que buscam desenvolver a autonomia e independência da criança, privilegiando o brincar livre sob supervisão e planejamento da equipe pedagógica. 

Dentro dessa proposta, queremos também incluir o conceito do enriquecimento cerebral, que ainda é um termo pouco conhecido dentro da educação brasileira. Mas o que é o enriquecimento cerebral?

Segundo Eric Jensen (2011),

“O enriquecimento é uma resposta biológica positiva a um ambiente de contraste, no qual mudanças mensuráveis, sinérgicas e globais ocorrem dentro do cérebro” 

Para melhorar esse conceito, sempre gostamos de usar uma viagem como exemplo de enriquecimento cerebral. Quando uma pessoa viaja para um lugar novo e desconhecido, experimenta um ambiente de contraste e de diferenças que farão o seu cérebro se modificar. Se as exepriências forem positivas, as mudanças também serão positivas.

Nesse sentido, oferecer um ambiente de contraste e de estímulo na educação infantil aumentará o potencial de aprendizagem das crianças. Para isso, devemos pensar diariamente nos espaços e atividades que deverão compor a rotina escolar dos alunos a fim de proporcionar os estímulos adequados para garantir um desenvolvimento infantil saudável, significativo e desafiador. 

Ainda segundo Eric Jensen (2011), o cérebro pode e muda todos os dias. Os cérebros podem ser enriquecidos, independentemente do QI dos estudantes, da saúde cerebral, da renda financeira ou das circunstâncias…..o cérebro é desenvolvido para se modificar como resultado das experiências. Contando que as experiências sejam positivas, o cérebro mudará para melhor.” 

Nos próximos textos vamos mostrar os setes maximizadores do enriquecimento cerebral que devem nortear o trabalho desenvolvido na Escola Semear. São eles: a atividade física, aprendizados novos (desafiadores e significativos), complexidade coerente, níveis de estresse controlado, suporte social, boa alimentação e o tempo. 

Espero que você acompanhe os próximos textos e possa usá-los para ajudar o seu filho (a) a se desenvolver com qualidade. 

Grande abraço.

Micheli Campos e Alexandre Paim

 

A importância da educação infantil.

Há quem acredite que a Educação Infantil seja um período destinado somente a brincadeiras, sem grandes prejuízos à criança caso ela não vivencie esse primeiro momento da vida escolar.

No entanto, a primeira infância, período que vai do nascimento até os seis anos de idade, é uma etapa determinante para a aquisição das habilidades fundamentais e o desenvolvimento cerebral da criança.
É na primeira infância que se constituem aspectos que irão acompanhar o indivíduo até a fase adulta, seja na área da saúde ou no seu bem-estar social, emocional e cognitivo.

É na Educação Infantil que se criam as bases para melhores condições de exercício da cidadania e contribuição para os avanços sociais, uma vez que, nesta fase, as crianças têm acesso ao conhecimento e à interação social, o que a insere dentro do mundo e da sua cultura.

Podemos inclusive, ampliar as contribuições escolares da educação infantil que são de suma importância no desenvolvimento da criança, como a psicomotricidade, consciência fonológica, interação social e fala.

Ao pensar em uma escola, os pais devem levar em consideração o bem-estar integral da criança e qual o ambiente favorece o desenvolvimento de todos os seus aspectos (social, emocional, cognitivo, psicomotor etc.).

O brincar na Educação Infantil e por toda a infância está relacionado ao processo de humanização, por meio do qual a criança aprende a reconhecer o outro de forma efetiva, criando vínculos mais duradouros e desenvolvendo a sua capacidade de raciocinar, julgar, argumentar, chegar a um consenso, entre outras habilidades que advêm da convivência através das brincadeiras.

A partir do brincar também se formam conceitos e se constroem novos conhecimentos que podem ser inseridos, de forma lúdica, durante a interação entre adultos e crianças e entre as próprias crianças.

Texto adaptado de “Por que a educação infantil é tão importante para a vida?”; Psicóloga Inês Falcão; 12/01/21.

Micheli Campos – Escola Semear