Atividade física e de exploração no desenvolvimento infantil.

Conforme prometido, vamos dar sequência ao assunto do enriquecimento cerebral infantil mostrando para você os sete maximizadores de ouro do desenvolvimento positivo do cérebro infantil. 

Vamos começar essa série falando da importância da atividade física e da exploração do meio na vida das crianças. Inclusive, essas atividades são um dos pilares da Escola Semear, pois todos os estudos demonstram que a atividade física está na base do aprendizado.

Crianças que brincam pouco, que passam a maior parte do tempo em frente à telas (televisão, celulares e computadores) acabam sendo privadas de contatos físicos e emocionais com o mundo real. Apenas para citar um exemplo, as horas que crianças passam dentro de um carro mais que dobraram nas últimas décadas. Estima-se que até os 24 meses de vida, uma criança já tenha passado mais de 350 horas sentada no banco de um carro. 

“O cérebro em desenvolvimento necessita exploração para aprender a descobrir o novo mundo de sentidos e conectá-lo ao seu próprio mundo. Isso é o gera expectativa e coerência. Esse princípio-chave estimula a exploração segura e ativa do mundo natural. Note que eu não falei em exploração de brinquedos de pilha, televisão ou DVD. É no mundo físico, real, da estimulação sensorial natural que o cérebro da criança precisa interagir (Eric Jensen, 2011, página 287).”

A curiosidade faz bem para as crianças. Para evitar que ela seja reprimida constantemente, as casas e escolas precisam ser lugares seguros para a exploração e que oportunidades sejam criadas para tal. Crianças explorarão um dia inteiro uma praça se receberem liberdade. Qual o valor disso para o seu filho (a)?

Pesquisas revelaram que crianças curiosas com 3 anos de idade e que exploram os ambientes livremente, têm QIs substancialmente mais elevados na pré-adolescência (Raine, A. et al, 2002). Explorar o ambiente codifica o amor pela aprendizagem, a curiosidade natural e o prazer pelo processo de descoberta mais do que por qualquer outra atividade.

Uma vida ativa nos primeiros anos de vida promove o desenvolvimento do sistema de equilíbrio (vestibular) da criança. Entre boas atividades para o desenvolvimento desse sistema de equilíbrio corporal estão acrobacias, ciclismo, gira-gira, escorregadores, gangorras e tantas outras brincadeiras infantis. A falta de estímulo ao sistema de equilíbrio e motor da criança podem estar ligados a vários problemas de aprendizagem, incluindo dificuldades em matemática, escrita e leitura. A estimulação motora iniciada logo cedo gera melhor atenção, melhores habilidades auditivas, de leitura e de escrita (Palmer, L., 2002). 

“Planeje um passeio pelo próprio quintal. Você não precisa de parques temáticos para construir cérebros. Você pode conseguir estímulos fabulosos quando compartilha os incríveis milagres da grama, formigas e outros insetos construindo casas (Eric Jensen, 2011, página 289).” 

As crianças vão querer (e devem) explorar toda e qualquer coisa que puderem. Ao adulto cabe a supervisão e os cuidados com a segurança. Aos educadores também cabe o planejamento do ambiente e das atividades motoras/exploração sempre visando o estágio de desenvolvimento da criança e sob a perspectiva dos objetivos que deseja alcançar.

Por fim, permita que o seu filho (a) explore o mundo. Em vez de uma dieta de televisão, vídeo games e muitas horas em frente a telas, proporcione a eles longos períodos de explorações criativas e livres.

No próximo texto vamos falar de aprendizados novos, desafiadores e significativos. 

Esperamos ter contribuído. 

Micheli Campos e Alexandre Paim

Referência: Jensen, Eric. Enriqueça o cérbro: Como maximizar o potencial de aprendizagem de todos os alunos, Artmed, 2011.

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